4 de novembro de 2011

No dia 1 de Novembro também fomos ao Pão-por-Deus

Quando era criança, adorava ir ao Pão-por-Deus. Como morava na aldeia, conhecia toda a gente e nesse dia juntava-me às outras crianças a pedir o Pão-por-Deus. Era uma alegria completa quando nos davam doces e coisas boas (leia-se rebuçados, chocolates, etc) que nós não tínhamos habitualmente em casa. Corríamos a aldeia toda a bater às portas e ai de nós que deixássemos alguma para trás. Todos tinham qualquer coisa para nós, nem que fosse só uma peça de fruta. Lembro-me de um ano que me deram maçãs. Nesse ano recebi tantas maçãs. Também recebi outras coisas, mas a sacola era pequena, e eu também, e as maçãs enchiam-na e pesavam. Ainda hoje a minha mãe fala delas e de eu as ter deitado fora. Oh pá, eu era piquena e ainda mal tinha começado a volta e já não aguentava com o saco....
Quando vim morar para a cidade, ainda experimentei ir ao Pão-por-Deus. Mas já não tinha a mesma piada. Não conhecia as pessoas, não abriam as portas, é só prédios, desisti. Também, eu já tinha 10 anos, já era muito crescida para isso...
Desde que sou mãe, só vou ao Pão-por-Deus a casa da família e alguns amigos, porque têm sempre algum miminho para os meus filhos e levo também sempre qualquer coisa para retribuir.
Mas este ano fui com a criançada ao Pão-por-Deus. As minhas sobrinhas moram numa aldeia perto e convidaram o primo para ir com elas no dia 1. Claro que a Sara também quis ir. Sabendo de antemão que se ia cansar mais depressa que os outros, fui com eles. Começámos por ir buscar uma colega das minhas sobrinhas que mora um pouco mais acima e fizemos a primeira ronda por lá.
O Daniel nunca tinha ido ao Pão-por-Deus assim, a Sara muito menos. Para eles foi uma loucura. Lembrei-me tanto de quando era pequena como eles.. Assim que aprenderam a chamar "Pão-por-Deus!" não se calaram mais e eram os mais activos do grupo.
Para mim foi um alívio quando chegou a hora de almoço e me pude sentar. É que entretanto a Sara só queria colo porque as pernitas já não aguentavam a caminhada.
Como não tinham conseguido fazer toda a volta que tinham pensado, as minhas sobrinhas decidiram continuar de tarde. Mas desta vez, como era mais perto da casa delas, foram só os mais crescidos. Eu e a Sara ficámos em casa.
Agora tenho em casa um fornecimento de chocolates, rebuçados, gomas, chupas, amendoins, pevides, bolos secos e bolachas que não acaba.
Entretanto, e porque gosto de saber as coisas, fui pesquisar a origem desta tradição. Claro que há várias explicações. Mas a que eu prefiro é a que diz que remonta ao terremoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755. Nessa altura, as pessoas que foram afectadas percorreram os arredores a pedir um pão, por Deus.
A tradição é oferecer às crianças bolinhos tradicionais, castanhas, romãs, frutos secos, mas agora o que se oferece é mais à base de chocolates, rebuçados, etc.
Hoje em dia começa a perder-se um pouco esta tradição e começa a ver-se cada vez mais as crianças mascaradas na véspera à noite, a noite das Bruxas. Mas eu continuo a preferir o tradicional, e nacional, Pão-por-Deus.

2 comentários:

  1. São tão bonitas as nossas memórias de criança! Tb andei uma vez a pedir o pão por Deus e vim de lá bem recheada! Frutos secos, doces, chocolates, frita da época e até dinheirinho! Foi muito giro! Hoje em dia, aqui na minha zona já quase ninguém faz e os miúdos que andam a pedir querem é dinheiro. A tradição perdeu-se.
    Beijinho e bom fim de semana!

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  2. Na aldeia onde vivi muitos anos, essa tradição está a nascer em força. A aldeia em si tem 5000 e tal pessoas (muitas crianças, portanto), pelo que fiquei muito satisfeita por ver tanto miúdo a apedir o pão por Deus.

    É uma tradição linda!

    Bom fim-de-semana!

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Obrigada por ter tempo para ler o que escrevo e dar-me a sua opinião. Espero que volte.
Um abraço!!!