13 de novembro de 2013

Já está tudo combinado, os pormenores acertados, os valores aprovados, só falta mesmo assinar os papéis e 6ª feira, dia 15, será o último dia. Ao fim de 21 anos e 5 meses, vou voltar a estar desempregada. Tive a sorte de ter um emprego fixo durante tanto tempo, mas como acontece com quase tudo, acabou. A empresa não aguenta tantos encargos e propôs rescisões amigáveis a quem estivesse disponível. Prometeram garantir todos os direitos, indemnização, papéis para o desemprego, etc., e esta amiga decidiu aproveitar a deixa. Se fiz bem ou mal, logo se verá. Estou em paz, estou resolvida com a situação, mas vai custar. Entrei para aqui uma jovenzinha de 19 anos e saio com 40, o que quer dizer nos dias de hoje, uma velha. Durante este tempo conheci muita gente diferente, pessoas boas, pessoas más, pessoas horríveis, pessoas francas, pessoas falsas, pessoas sérias, pessoas do mais desleal possível, mas aprendi a lidar com todas elas, fossem clientes, colegas ou chefias. Aprendi a domesticar o meu mau feitio e a não me envolver tanto em alguns problemas que surgiram. Em alguns casos tornei-me mesmo fria e desligada, "nem quero saber" passou a ser o meu lema. Erradamente. Até porque queria e quero saber e o resultado era levar essa carga para casa e descarregar em cima de quem não tinha culpa mas que sempre aguentou e desvalorizou a "descarga". Por isso quando foi posta na mesa a proposta de saída amigável, o primeiro apoio veio exactamente de casa. "Aceita, diz que estás disponível". É arriscado, mas já não tenho medo. Sei que tenho capacidade para conseguir o que quiser, basta querer. Tenho ideias, tenho projectos, tenho vontade de fazer e aprender. E tenho capacidade para trabalhar. Sempre disse que precisava de um empurrão, espero saber aproveitar.
Como diz a canção, "este é o primeiro dia do resto da tua vida".