Vi este texto na net e posso dizer que fiquei mal-disposta. Infelizmente revi-me em muitas situações que são aqui mencionadas e fiquei muito triste por pensar que os meus filhos se podem sentir assim. É muito importante tentarmos ver as coisas pela perspectiva deles. Para mim, é mais um alerta para mudar de atitude! O texto é longo, mas vale a pena ler!
"Diário de uma criança à beira do nervoso miudinho - Eduardo Sá
Os pais não servem como despertador. Adormecem de manhã, como todos
nós, mas, ao mesmo tempo que levantam a persiana e nos chamam «Meu
querido» e coisas assim, querem que, entre a cara lavada e os cereais despachados, façamos dos 0 aos 100 em poucos... minutos.
Entretanto, como convém às pessoas ponderadas, e paramos de nos vestir
para pensarmos na vida, eles sofrem de hiperatividade e, em jeito de
ameaça, gritam qualquer coisa do género: «Eu juro que me vou embora, e
deixo-te aqui!» (que era tudo o que eu mais queria!).
Os pais
servem, também, para nos tirar a boa-disposição, antes do trabalho.
Enquanto só não chamam «boas pessoas» a todos os senhores automobilistas
que, segundo eles, estavam bem era dormir, ouvem (de meia em meia
hora!) as mesmas notícias, atendem o telefone, olham 30 vezes para o
relógio, melindram-se com a nossa cara de segunda-feira e, sempre que
dizem, com voz de pateta: «Quem é o meu tesouro, quem é?», quem faz as
contra-ordenações perigosas somos nós!
Os pais servem para imaginar que todas as crianças, ao chegarem à escola, são campeãs de felicidade.
E que nunca nos apetece mandar a nossa professora para a... biblioteca,
de castigo, enquanto ela pensa se não será feio mentir (sempre que
grita connosco, quando garante, aos nossos pais, que é só doçuras e
meiguices...).
Os pais servem, também, para nos ir buscar à
escola. E nisso escapam! Mas, independentemente de nos apetecer limpar o
pó ao mundo, perguntam (todos os dias!): «Correu bem a escola? e O que
foi o almoço?», com tantos pormenores, e no meio de tanta inquietação,
que nos provocam brancas e nos levam ao stresse.
Os pais servem
para nos deixar nos tempos livres. E, quando pensávamos que podíamos
brincar à vontade, (ou não são os tempos... livres?) descobrimos que
eles só podem ter sido levados ao engano porque, afinal, nos obrigam a
estar, mais uma vez, quietos e calados. E, pior, quando estamos prontos a
pedir o livro de reclamações, ora nos castigam com trabalhos de casa
ora nos põem, sentadinhos, a ver os mesmos desenhos animados tantas
vezes, que nós achamos que isso deve servir para aprendermos a contar
até... 100.
Mas os pais servem, também, para trabalhar para a
nossa formação desportiva e para o lazer. Quando chegamos à natação,
gritam quando não nos queremos despir ali, à frente de toda a gente.
Acham que não podemos brincar nem nos balneários nem na piscina. E
gritam, outra vez, quando insistimos que os avós e os acompanhantes das
outras crianças não deviam saber em que preparos viemos ao mundo.
Os pais servem, também, para zurzir no nosso lado bem-disposto, quando
(de regresso ao carro) nos mandam cumprimentar a prima Maria da Glória
que, em vez de nos dizer «Olá», delicadamente e com maneiras, nos
esborracha contra ela e nos lambuza e, enquanto nos despenteia, duma
ponta à outra, nos ofende, de cada vez que diz: «Ai, meu filho, o teu
rapaz está tão crescido!....» (Meu filho?... Mas o pai bateu com a
cabeça? Então, maltratam-lhe o filho, em vez de lhe darem um beijo
transformam-no em algodão doce, e ele, ainda por cima, sorri e
agradece?...)
Quando, finalmente, entramos em casa e estamos
prontos para descansar, os pais servem para nos dizer, contra todas as
nossas expectativas: «Primeiro, fazes os trabalhos de casa. Só depois
brincas».
E servem para azedar a nossa boa disposição quando,
logo a seguir, tratam, como se fosse contrafação, os pacotes de leite,
as embalagens de bolachas e as caixinhas com os presentes da Happy Meal
que, carinhosamente, tínhamos a dormir ao pé de nós.
Os pais
servem para escandalizar, todos os dias, a nossa paciência, ao jantar.
Começam por nunca respeitar o nosso: «Já vou!». Vendem-se à publicidade
enganosa de cada vez que acham que a sopa de cenoura «faz os olhos
bonitos». Servem-nos ervilhas e, carinhosamente (como quem não está
muito seguro do produto que promove), chamam-lhe «bolinhas».
E nunca se cansam de nos dizer que a fruta faz bem!
E, quando o dia não pára de nos surpreender, os pais servem para dizer, todos os dias: «A partir de hoje... tu vais ver!».
E, sempre que estão chateados com o trabalho, para reclamar. Assim: «Ah
queres fazer uma birra? Pois vamos ver quem faz a birra maior!...»
E, quando querem quebrar a monotonia dos nossos dias, os pais, servem
para pronunciar com alma cada palavra, quando nos estragam com
meiguices: «Qualquer dia... eu emigro! Para muito longe! E quero ver
como é que vocês se safam!».
Com dias assim, em que o pai e a
mãe fazem de Capitão Gancho, quem não se rende à canseira e adormece
antes do fim de cada história? E quem é que não cede ao nervoso miudinho
e não acorda, a meio da noite, com os nervos em franja? E quem é que
não ficaria desolado, no meio de toda a energia renovável que eles têm,
quando perguntam com quem estávamos a sonhar (e nós, não podendo dizer
que era com eles), respondemos que temos medo é... do Papão!
Nós gostamos dos pais. Desconfiamos que eles imaginam que passam pouco
tempo connosco mas, se for para isto, não temos coragem para os
contrariar. Afinal, nós sabemos que todas as pessoas de coração grande
têm a cabeça quente.
E nunca pomos em dúvida que só o amor importa. Só não entendemos porque é que os pais tenham de ser esta canseira!
E achamos que, desta maneira, eles nos fazem nervoso miudinho.
Eduardo Sá
in paisefilhos.pt "
Coisas que gosto de fazer, ver e ler. Coisas que gosto de partilhar. Coisas que gosto de aprender.
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30 de janeiro de 2013
26 de novembro de 2012
Supermercado em tarde de chuva
Costumo fazer compras de manhã. Habituei-me assim com a minha mãe, que sempre preferiu sair de manhã para "as voltas do dia" e de tarde ficar em casa a pôr as tarefas em dia, na cozinha a fazer um bolo ou apenas sentada à janela a costurar, tricotar,etc.
Eu sempre gostei de fazer as coisas assim, como ela, excepto a parte de costurar e tricotar, que só consigo quando o rei faz anos. Mas com duas crianças ainda pequenas e com a semana ocupada, nem sempre consigo sair de manhã ao fim-de-semana para fazer compras. E no sábado passado, com a chuva e sozinha com os dois em casa, nem pensar. Pensei que à tarde, depois do almoço, com o pai em casa para tomar conta dos filhos, seria uma boa altura para a ronda dos supermercados. A lista de compras era pequena, mas ía também numa viagem de prospecção, que pede tempo e paciência para ver e comparar preços.
Chego ao primeiro supermercado, encontro logo um casal conhecido, que "andava a passear por ali porque, como está a chover, não apetece ir dar uma volta". O quê!??!?! Eu saí porque precisava de alguma coisas e queria aproveitar algumas promoções, porque senão teria ficado em casa com os meus filhos, a aproveitar a tarde em família!
Comprei o que precisava ali e fui a outro supermercado. Chego lá, o parque de estacionamento está cheio. Entro e vejo que há famílias a vaguear pela loja, mas as caixas estão vazias, comparadas com o número de carros lá fora. Ou seja, aqui também há pessoas que vieram só "dar uma volta". Também há as que estão a fazer compras, mas nota-se bem a diferença entre quem anda a passear e quem anda a fazer compras.
Como não fui habituada assim, não vejo necessidade de sair só por sair. Prefiro ficar em casa a curtir a pequenada, em vez de andar à chuva e dentro de supermercados porque não há outro sítio para ir.
Conclusão disto tudo, a partir de agora voltámos às compras só de manhã (também não gosto de fazer compras à noite). Assim despacho-me cedo e fico com a tarde livre para outras actividades, que praticamente se resumem a limpar, arrumar, estar com a família, limpar e arrumar outra vez, etc. e às vezes sair sim, mas com objectivo de passear em família, não apenas vaguear por aí.
Eu sempre gostei de fazer as coisas assim, como ela, excepto a parte de costurar e tricotar, que só consigo quando o rei faz anos. Mas com duas crianças ainda pequenas e com a semana ocupada, nem sempre consigo sair de manhã ao fim-de-semana para fazer compras. E no sábado passado, com a chuva e sozinha com os dois em casa, nem pensar. Pensei que à tarde, depois do almoço, com o pai em casa para tomar conta dos filhos, seria uma boa altura para a ronda dos supermercados. A lista de compras era pequena, mas ía também numa viagem de prospecção, que pede tempo e paciência para ver e comparar preços.
Chego ao primeiro supermercado, encontro logo um casal conhecido, que "andava a passear por ali porque, como está a chover, não apetece ir dar uma volta". O quê!??!?! Eu saí porque precisava de alguma coisas e queria aproveitar algumas promoções, porque senão teria ficado em casa com os meus filhos, a aproveitar a tarde em família!
Comprei o que precisava ali e fui a outro supermercado. Chego lá, o parque de estacionamento está cheio. Entro e vejo que há famílias a vaguear pela loja, mas as caixas estão vazias, comparadas com o número de carros lá fora. Ou seja, aqui também há pessoas que vieram só "dar uma volta". Também há as que estão a fazer compras, mas nota-se bem a diferença entre quem anda a passear e quem anda a fazer compras.
Como não fui habituada assim, não vejo necessidade de sair só por sair. Prefiro ficar em casa a curtir a pequenada, em vez de andar à chuva e dentro de supermercados porque não há outro sítio para ir.
Conclusão disto tudo, a partir de agora voltámos às compras só de manhã (também não gosto de fazer compras à noite). Assim despacho-me cedo e fico com a tarde livre para outras actividades, que praticamente se resumem a limpar, arrumar, estar com a família, limpar e arrumar outra vez, etc. e às vezes sair sim, mas com objectivo de passear em família, não apenas vaguear por aí.
20 de junho de 2012
Acabaram de me chamar lambona!!!
Só tenho 1 hora de almoço (opção minha para sair mais cedo à tarde) e hoje não deu para fazer tudo o que precisava, principalmente almoçar.
Por isso, fui comprar uma salada num take-away perto, para comer à frente do computador (não temos copa).
A minha colega ficou encantada com a minha salada (muito bem servida) mas disse logo que para ela dava para duas refeições!!
Ora, se eu ia comer aquilo tudo ao almoço, isso faz de mim o quê?? Lambona!!
Pois é, amiga, este corpinho não se aguenta só com um copo de água quando tem fome. Tem que ser bem abastecido porque senão cai p'ró lado!
Por isso, fui comprar uma salada num take-away perto, para comer à frente do computador (não temos copa).
A minha colega ficou encantada com a minha salada (muito bem servida) mas disse logo que para ela dava para duas refeições!!
Ora, se eu ia comer aquilo tudo ao almoço, isso faz de mim o quê?? Lambona!!
Pois é, amiga, este corpinho não se aguenta só com um copo de água quando tem fome. Tem que ser bem abastecido porque senão cai p'ró lado!
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