No passado sábado participei numa "venda de garagem" numa associação local. Levei algumas "ternuras" (mais tarde mostro aqui) que fiz para vender e como iria durar todo o dia, os meus filhos quiseram ir para casa da minha mãe. A avó planeou logo um passeio com os netos "ao centro" da cidade, fazer umas compritas. Foram no "toma" (transporte urbano local) porque os miúdos adoram andar no "toma" e eu fui para a "venda".
A meio da manhã, o susto. Recebo um telefonema de uma senhora que dizia estar com duas crianças e que a avó das crianças tinha desmaiado na rua mas que já tinham chamado uma ambulância. Disse-me onde estavam e que tinha sido o meu filho a dar-lhe o meu número de telefone para me ligar. Larguei tudo (a sorte é que estava a dividir o meu espaço com uma amiga que ficou a tomar conta das minhas coisas) e fui buscá-los.
Quando cheguei, ainda lá estava a ambulância com a minha mãe lá dentro. Os paramédicos apressaram-se a garantir que a minha mãe já tinha recuperado e perguntaram-me se era habitual acontecer isto e eu respondi que já se tem sentido mal mas que nunca tinha chegado a desmaiar. Disseram-me que os níveis (açúcar, tensão) estavam normais e que ela não queria ir para o hospital. Nessa altura ela já me dizia que se sentia bem e que queria ir para casa.
A senhora que me ligou também lá estava, assim como outro casal que cuidou dos meus filhos. Eu agradeci e agradeci mas acho que nunca se agradece o suficiente. Contaram-me que a avó se sentou e desmaiou e que os dois estavam a tentar levantá-la. Cada vez que imagino, fico com o coração mais apertado. As pessoas viram aquilo e aproximaram-se para ajudar. Chamaram a ambulância e o meu filho deu-lhes o meu número de telefone para me ligarem. E estavam todos admirados como ele, tão pequeno, sabia de cor o meu número. Expliquei que ele, de vez em quando, quando preciso de sair para ir às compras ou com a irmã à natação, pede-me para ficar em casa, sozinho. Deixo-o, não sem alguma preocupação, mas com uma lista dos números de telefone da mãe, do pai, da avó, para o caso de ele precisar de alguma coisa e uma lista de recomendações "não abrir a porta a ninguém", "não ir para a varanda ou janela", "é como se não estivesses em casa". Entretanto ele decorou o meu número e já não precisa da lista.
Há pessoas que podem pensar que sou uma desnaturada por deixar uma criança de 8 anos sozinha em casa, mas acho que, com os devidos cuidados, é bom começar a dar-lhe alguma autonomia. Aprende a não estar tão dependente de mim e, numa situação de emergência, não entra logo em pânico e consegue ter lucidez para dar o meu número de telefone a alguém para me chamar. É claro que fiquei muito orgulhosa dele. Lá estava ele, o meu homenzinho, a segurar a mão da irmã, a cuidar dela. O meu pequeno herói.
Depois de assinar os papéis necessários, levei-os a todos de volta à casa da minha mãe. Não quiseram ir para casa, apesar de o pai lá estar, mas a trabalhar. Em casa da avó era mais divertido e ficava a dois passos da minha "venda".
O que aconteceu com a minha mãe é que ela não pode ficar muito tempo sem comer. Quando isso acontece, começa a sentir-se fraca e cansada e tem que comer qualquer coisa. Em casa, senta-se um pouco até recuperar e depois vai comer. Quando saio com ela ou vou com ela às compras, levo sempre um pacote de bolachas porque já sei que assim que acabamos a ronda num supermercado, ela precisa de comer apesar de não se queixar. São 82 anos e a idade não perdoa. Contou-me mais tarde, no sábado, que tinha ido a um sítio, depois voltou atrás e subiu e desceu escadas e que só queria voltar para casa para, então, comer qualquer coisa. Mas cansou-se muito e não aguentou.
Depois disse-me que apesar de gostar muito de sair com os netos, não o vai fazer mais. A única preocupação dela enquanto se sentia a ir abaixo, eram os netos que iam ficar sozinhos no meio da rua. Se por um lado concordo com ela, por outro também penso que, estando lá o neto, conseguiram avisar-me e fui buscá-los. Mas nem consigo imaginar a aflição das crianças. Pode ser que assim ela se habitue a ter umas bolachas na mala e o telemóvel para pedir ajuda.
E assim se passa um sábado...
Espero que o,vosso tenha sido "menos animado".
Coisas que gosto de fazer, ver e ler. Coisas que gosto de partilhar. Coisas que gosto de aprender.
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2 de dezembro de 2013
5 de setembro de 2012
E quem é que ao 2º dia de trabalho está tão, tão cansada?
Euzinha, pois é!
Para acabar as férias em grande, passei a última noite das mesmas na urgência do hospital com a minha mãe. Há semanas, senão meses, que se queixava de dores na zona abdominal. "Mãe, vamos ao médico", "Não é preciso que já passa". Todos os dias eu falava com ela por telefone ou pessoalmente e nunca se queixava de nada. Às vezes descaía-se e deixava passar que tinha vomitado ou que tinha passado o dia deitada com dores. E eu a insistir para ir ao médico e ela a recusar. Eu a "ralhar" com ela e ela a esquivar-se.
Até que na 6ª feira passada, à noite, as dores deviam ser tantas que lá me telefonou a pedir para ir com ela ao hospital. Disse-lhe para ligar para o 112 e lá fomos.
O problema é na vesícula, uma pedrinha, e desde essa altura que está internada. Não foi operada ainda e nem sei se será, mas já não tem dores, está a dieta e farta de estar no hospital. E eu cá ando a correr entre o trabalho, casa dos meus pais, escola, visita ao hospital, minha casa.
Estou assim a modos que cansadita.
Para acabar as férias em grande, passei a última noite das mesmas na urgência do hospital com a minha mãe. Há semanas, senão meses, que se queixava de dores na zona abdominal. "Mãe, vamos ao médico", "Não é preciso que já passa". Todos os dias eu falava com ela por telefone ou pessoalmente e nunca se queixava de nada. Às vezes descaía-se e deixava passar que tinha vomitado ou que tinha passado o dia deitada com dores. E eu a insistir para ir ao médico e ela a recusar. Eu a "ralhar" com ela e ela a esquivar-se.
Até que na 6ª feira passada, à noite, as dores deviam ser tantas que lá me telefonou a pedir para ir com ela ao hospital. Disse-lhe para ligar para o 112 e lá fomos.
O problema é na vesícula, uma pedrinha, e desde essa altura que está internada. Não foi operada ainda e nem sei se será, mas já não tem dores, está a dieta e farta de estar no hospital. E eu cá ando a correr entre o trabalho, casa dos meus pais, escola, visita ao hospital, minha casa.
Estou assim a modos que cansadita.
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